Poeme-se


"Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas. Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez. Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso. Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o fato de serem como são e ninguém poder fazer nada. Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se vêem, não sabem como são. Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem."


Caio F. Abreu
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Você acredita?


O que há de errado com as fotografias abaixo?










Na verdade não são fotografias, mas sim pinturas. Isso mesmo, pinturas! Foram feitas com os menores pincéis possíveis e eu fico impressionada com a perfeição e com a quantidade de detalhes. Geniais, assim considero as pessoas que fizeram esses quadros ( se for pintura de verdade). Convenhamos, dá para desconfiar não é?
Você acredita?



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Sempre diferentes



Está certo que o que eu vou falar aqui já deve estar meio desatualizado, mas vamos lá.

Em julho li Anjos e Demônios, um dos best-sellers do Dan Brown, achei o livro tão legal e emocionante que em tão pouco tempo já tinha-o devorado. Desde então, estava anciosíssimapara ver o filme, que por sinal era baseado na versão literária. Até que ontem, finalmente tive a oportunidade de assistir, então eis que: acabei me decepcionando. Tudo bem, não precisava ser uma cópia fiel da obra, mas alterar a história do início ao fim passou dos limites.

Pesquisando hoje na internet, descobri ( e já era óbvio), que muitas pessoas também não concordaram com as tantas alterações feitas no roteiro. Das críticas que li, achei o texto que irei colocar aqui resumir bem tudo o que eu e muitos outros acharam do filme. Como eu nao estou com um pingo de paciência sequer para escrever sobre a história de cabo a rabo, vale um Ctrl C,Ctrl V aqui, o amigo do http://memoriasfracas.com soube fazer muito bem.

"Assim que o filme começa, já percebemos as mudanças que a adaptação para o cinema pediu. Enquanto que o livro narra um assassinato nos primeiros capítulos, o cinema mostra Vittoria Vetra produzindo frascos da explosiva anti-matéria. Embora isso aconteça no CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), que é importantíssimo no livro, o instituto aparece apenas nos primeiros cinco minutos do filme e nada mais.

Logo depois que descobrem que um frasco de anti-matéria foi roubado, somos apresentados a Robert Langdon (Tom Hanks). Com corte de cabelo novo e nadando na piscina, Hanks continua sendo a pessoa perfeita para viver o simbologista. O ator transmite uma serenidade e uma inteligência que dão veracidade a seu personagem, assim como o livro o descreve.

Quando o enredo se desenvolve mais um pouco, as cenas na cidade do Vaticano e de Roma começam a surgir. Embora a equipe de filmagens não tenha obtido autorização para filmar no Vaticano, a reconstrução dos cenários foi muito bem realizada. Transmite realismo e veracidade. As tomadas na Basílica de São Pedro são grandiosas. A aglomeração de gente que “Anjos e Demônios” mostra chega a causar arrepios. O mesmo não acontece nas filmagens no suposto Panteão, que foram claramente (mal) digitalizadas.

Acreditava-se que “Anjos e Demônios” daria ênfase às obras de arte que compõem o Caminho da Iluminação, mostrando os detalhes das esculturas de Bernini que dão pistas para que Langdon chegue a suas conclusões. No entanto, isso não acontece. As obras ficam em segundo plano na maior parte do tempo.

Algo que incomoda é o ritmo que a história leva. Em momentos cruciais, de reflexão dos personagens em busca de respostas, ela fica rápida demais. Em compensação, em passagens não tão importantes assim, fica deveras lenta. Sem falar na falta de sincronismo entre Langdon e Vittoria. Durante a maior parte do filme não ocorre uma química entre os personagens, que parecem estar em velocidades diferentes.

Por algum motivo obscuro, nomes de vários personagens foram mudados. O camerlengo, que no livro de chama Carlo, passa a ser chamado de Patrick na versão para cinema. O oficial Rocher também ganha outro nome: vira comandante Richter.

Motivo mais obscuro ainda levou os roteiristas a removerem dois personagens importantíssimos da trama. Tanto Leonardo Vetra quanto Maximilian Kohler não são sequer citados no filme. A falta de Vetra torna-se um obstáculo para Vittoria, que no livro está numa busca incessante pelo assassino do pai. Diferentemente da Sophie de “O Código DaVinci”, Vittoria não tem tanta importância na história. E, embora a atriz Ayelet Zuerer seja lindíssima, está insossa no papel.

Kohler também é fundamental na publicação, mas perde suas atitudes – em especial as que envolvem o camerlengo – para um outro personagem. Nada detalhes para não revelar o fim do filme, mas fique certo de que não é exatamente igual ao do livro.

O Hassassin? Esse praticamente entra mudo e sai calado. É outro que tem enorme importância no livro, mas é relegado no filme. Cumpre seu papel de matar, mas não expõe nenhum drama nem as necessidades carnais que o livro aponta. Não é por acaso que uma das cenas mais tensas da publicação, que é quando Vittoria está a um passo de ser estuprada pelo bandido, some do filme.

Outros dois personagens que eu esperava ansiosamente para ver como se sairiam nas telonas eram o repórter Gunter Glick e a cinegrafista Chinita Macri, da BBC. A falta dos repórteres é compensada, em parte, pela presença de diversas televisões do mundo inteiro mostrando o conclave: CNN, Telemundo, entre outras.

Algo que incomoda tanto no livro quanto no filme é como a Guarda Suíça, que só deveria defender a cidade-estado do Vaticano, faz o que bem entende na cidade de Roma. A polícia romana não percebe essa intrusão na própria jurisdição? Até hoje isso não está claro para mim.

Se você gosta de filmes de suspense, pode assistir a “Anjos e Demônios” tranquilamente. Embora tenha pontos de discordância com o livro, a história do filme até que foi bem amarrada. Alguns personagens fazem falta, mas quem não leu o livro provavelmente não perceberá isso."

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Pior do que está não fica


Normalmente em anos eleitorais no Brasil vemos certas coisas ditas ‘nacionais’ serem colocadas a espelho duplo. Digo isto em relação a problemas já existentes e quase insolucionáveis da nação. O caos na saúde pública, a educação precária, o saneamento básico quase pré-básico e os intermináveis escândalos políticos, envolvendo nossos jovens e velhos mancebos do planalto central e semelhantes. Não bastasse os problemas reais a que passamos, o eleitor brasileiro ainda é submetido a mais um episódio, daqueles comuns a estes anos: o folclore das promessas de campanha.

No imaginário mítico-popular, o Saci Pererê é um ser insólito, dotado de uma perna só, mas com grande habilidade e astúcia, que rodopia velozmente fazendo um redemoinho e que anda pelas florestas a aterrorizar visitantes. Um rico exemplo do vasto e criativo imaginário folclórico brasileiro. Mas anuncio aos pesquisadores que estudam esta área, que há uma verdadeira coletânea de “histórias para boi dormir” ainda para serem catalogadas. Ou seja, existem, mas não foram ainda estudadas a fundo nem muito menos classificadas.

Um bom exemplo seria a unânime promessa dos candidatos de fazer o que eles chamam de “ revolução na educação!”. Eis aqui o nosso primeiro título. Outro bem lembrado e dito é “investir pesado na saúde”.Não esqueçamos o famosíssimo “crescimento com inclusão social”, nem o “emprego para toda a família”. Mas atento também ao fato que há sempre uma constante renovação e até criação de novos jargões folclórico. O mais atual é o “Crescimento com desenvolvimento sustentável”.

Neste contexto os eleitores passaram por uma transformação. Há muito se metamorfosearam de cidadãos para consumidores. A democracia, antes vista com lisonja e esplendor das sociedades ocidentais, hoje é vendida em programas políticos fajutos, populistas, cretinos e ridiculamente mentirosos. Quem está no poder usa-o a todo custo para abocanha-lo por mais tempo. Quem quer o poder desusa-o para tentar usá-lo mais tarde. E quem dá o poder aos poderosos? Eles mesmos, claro, com um detalhe: usam o consumidor cidadão.

Acontece que a politica se tornou algo tão banalizado em todas as esferas, que ela, agora, precisa ser maquilada com outros rótulos para ser consumida. Quer dar espinafre para seu filho? Diga que é um troço verde, docinho, que faz bem e que não dói para comer. Após a primeira bicada ele faz cara ruim, mas se você prometer deixá-lo até mais tarde na rua brincando, ele come sorrindo e até pede mais chamando de “gotoso” (no caso de algumas democracias especificas, a promessa seria outra, como na Venezuela, por exemplo).

O que verificamos é que os candidatos estão cada vez mais com a cara de produto, algo como expostos em prateleiras da sessão “leve dois, pague um”. Ao fazerem isso, camuflam suas verdadeiras ideologias e, quando chegam ao poder, revelam sua procedência Made in China, que sempre vem acompanhada de negligência com o país e suas necessidades. Enquanto a própria sociedade não lutar por reformas politicas para uma democracia plena, o que teremos é apenas algo como uma “pseudo-democracia com glúten”, que só faz mal para uma pequena minoria, pois a maioria consome sem nem saber o que significa aquela frasezinha em letras miúdas: “CONTÉM CORRUPÇÃO, SAFADEZA, FALTA DE VERGONHA NA CARA E ATRASO EM ALTAS CONCENTRAÇÕES”.


Romário Basílio


-Gostou? Leia mais em: subescrevo-me.blogspot.com

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Os cinco mais


Lembro que no primeiro post que fiz neste blog (¹º de janeiro), falei das expectativas pra 2010 e dentre elas, estava o dia em que eu fosse completar 18 anos. Certo, isso foi hoje, meu aniversário; e as conclusões que posso tirar por enquanto são nenhuma, até porque ainda nao vi diferença alguma. É certo que uma coisa aqui ou acolá podem aparecer mas, por enquanto, mudança mesmo só nos documentos.

Para comemorar o meu dia, o QUASE ANÔNIMA resolveu criar um post ( que faz tempo que escrevi) citando cinco coisas que mais marcaram a minha infância. Adolescência não, apenas infância. Vamos lá:



As primas
Impossível esquecer dos tantos momentos e travessuras que passamos juntas. Polyanna, Gabi e eu, nós éramos do tipo que quase nunca brigávamos. E o mais legal, nossas brincadeiras sempre davam certo, talvez porque devíamos ter um mesmo grau de inteligência e compatibilidade, rsrss. Tinha de tudo: fazer shows de escola de samba, festas, fazer suco com os limões do quintal e vender pra quem morasse la, festas de São João, casinha e bolinho de terra, borroca e amarelinha, kkkk. E claro, já destruímos o portão, o espelho, a cama, a cadeira, o quintal, as roupas... e tantas outras coisas que só nos podemos entender.

Férias na casa dos avós
Era como se fosse sagrado: janeiro e julho na casa dos avós do interior. E claro, não perdia tempo para me divertir. Dessa vez com outra turma que também não ficava atrás das primas anteriores. Só que agora não era mais brincadeira da "cidade", era coisa de menino do mato mesmo. Muito, muito, mas muito futebol, lama, sujeira, rio, árvores e a festa das piadas no fim da noite. Quem disse que dava vontade de voltar pra casa no final do mês?

Brincadeiras de menino
Para não dizer que nunca tive amiguinhas na rua, digo que brincava com os amiguinhos. Irmão, primo e vizinhos. Enfim, isso não era motivo para ficar de fora das diversões, melhor ainda, eu praticamente era a cabeça da turma. Bola, peteca, pipa, torneio de artes marciais, ser m-o-t-o-r-i-s-t-a de ônibus. Ah e os bonequinhos se misturavam com as barbies sem problema algum. Quem disse que meninas só devem brincar de boneca? Quando misturado era muito mais divertido.

O maravilhoso mundo de Disney
Por culpa do meu pai, desses VHS antigos da Disney eu e meu irmão conhecíamos quase tudo. Quando não tínhamos a fita em casa, a "Plim-Plim vídeo" nos salvava. Cresci gostando de clássicos como Toy Story, Rei Leão, A Dama e o Vagabundo e 101 Dálmatas ( ah, e o nome do meu cachorro é PONGO). Tudo bem que hoje estamos rodeados pelos desenhos computadorizados e em 3D, mas ainda me encanto assistindo aos bons filmes desenhados à mão. Podem falar o que quiserem, mas a Disney realmente é boa no que faz e o Mickey é um fofo.

Joguinhos do Mario
Meu primeiro contato com o Mario foi aos 6 anos, nas aulas de computação com o Windows 98 da escola ( era esquisitão). Praticamente um vício, como nunca tivemos um NINTENDO na vida, puramente por interesse adorávamos ficar na casa dos tios para brincar no vídeo game. Confesso que meu irmão sempre foi o melhor, mas eu não ficava tão atrás assim. Joguinho da cebolinha, salvar a princesinha, Yoshi, all star e kart, assim chamávamos cada um. E aqueles bichinhos esquisitos? rssrss... Um dia ganhamos um de natal, não era Nitendo nem Playstation, era o super: POLISTATION. Rsrrss, meio raladinho, nunca compramos uma fita sequer, ele já vinha com o Mario mesmo, já estava bom demais.


É assim, não dá pra ser criança eternamente. Saudades eu tenho muitas, dessas e de tantos outros momentos. Não sou uma pessoa adulta ainda, inclusive tem coisas que, definitivamente, ainda não largaram de mim. O negócio é crescer com a "cabeça no lugar" sem perder o bom espírito de nada.
Vale pra todos.

E que venha os 18 anos!

Um abração!
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Garapa





- É quase meio dia, o sol está escaldante, a terra árida e as plantas secas refletem a falta de chuvas. A panela, ou mesmo a lata, está vazia. Para driblar a fome, água morna com açúcar para as crianças, ou “galapinha”, como elas chamam. Recebem o seu "mingau" e vão se deitar no chão de barro, nuas, envoltas por moscas, para comer.

- Periferia da cidade. Sem estudos ou outros recursos, é difícil conseguir emprego. Mais difícil ainda é sustentar os filhos sem o mínimo necessário. O mínimo a que me refiro é feijão, farinha ou quem sabe um pouquinho de arroz. Casa precária, alimentação escassa e a lida difícil com um alcoólatra que pega o pouco de casa para trocar por bebida.

As cenas descritas acima são o foco do documentário que assisti uma semana dessas. De José Padilha, GARAPA, através do cotidiano que acompanhou por um mês de três famílias, mostra um estado de pobreza e fome que atingem milhões de brasileiros.

Temas como esse, que às vezes ja parecem tão saturados, na verdade possuem cenas que nem imaginamos. É que estamos acostumados a ver ou falar desses fatos em uma escala mais global, por números, estatísticas, reportagens de tv. E assim, continuamos sem saber como as coisas acontecem de fato.

"Se voce lê dados do Ibase e do IBGE, fica sabendo que existem 910 milhões de pessoas no mundo que sofrem deficiência alimentar grave, mas ao ler uma reportagem dessas, voce nao entende o que significa a fome para quem lida com ela todos os dias. A primeira ideia era fazer um filme do ponto de vista de quem passa fome", comenta José Padilha.

Eu mesma, se alguém me perguntasse, teria alguma coisa pra dizer sobre a fome não só no Brasil, mas no mundo. No entanto, nunca tinha estado tão próximo dessa realidade como fiquei, assistindo as quase 2 horas de documentário.

No filme, em preto e branco mesmo e sem o mínimo de ensaio ou informações além da hitória daquelas famílias, percebemos de perto seu dia-a-dia, a luta das mães para dar comida aos filhos, a total falta de higiene, as crianças feridas, a realidade de programas como o Bolsa-Família.


Não criei esse post para culpar x ou y pela situaçao dessas pessoas, mas apenas falar de um problema que realmente existe e na maioria das vezes está tão alheio à nossa realidade que mal paramos para lembrar.

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A bicicleta - PARTE II


Quando Rubinho já estava um pouco maior, surgiu-lhe a oportunidade de morar com uma tia na cidade grande. Era uma boa chance de crescer nos estudos e conseguir um futuro melhor que aquele que seria no interior.

E assim aconteceu. O menino cresceu, se casou e se tornou o Dr. Rubens. Sua inteligência o levou longe e agora poderia ajudar a família e proporcionar aos filhos a vida boa que não teve.

Certo dia, perto do Natal, ele recebe uma correspondência de sua mãe. Encontra um papel com aspecto sujo e desamassado, amarelado pelo tempo. Ao abrir, impressiona-se ao reconhecer as letrinhas arredondadas ali escritas. Era a sua carta ao papai Noel, de palavras inocentes, a tanto tempo atrás. Minha mãe deve ter achado-o no chão e o guardara até hoje - ele pensou. Começou então a lembrar da infância difícil, do pouco que tinha e começou a chorar. Dessa vez não era por raiva, mas por emoção. Percebeu que a vida não tinha sido injusta com ele, como pensava e naquela noite, dormiu com um propósito.

Ao amanhecer, comprou uma bicicleta bonita, do jeito que sonhava. Mas essa não era para ele nem para os seus filhos. Enxergou num garoto pobre que via sempre perto do serviço ele próprio. A pobreza do passado e os sonhos que pareciam impossíveis. Decidiu presenteá-lo. A bicicleta que ele tanto desejava iria alegrar uma outra criança.

E assim fez. Descobriu que papai Noel não fora sempre uma ilusão, mas que ele pode estar dentro de cada um. Sentiu-se feliz!
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